Hoje não, obrigado

OFFLINE

fazer um comentário »

Desta vez eu não falarei em terceira pessoa. Muito menos contarei um conto, prosseguirei com meus personagens ou incluirei algum. Falarei por mim, como autor deste humilde e sem valor blog. A propósito pouquíssimo visitado. Contarei uma história até verídica, resumida, sobre a minha vida e a importância da tecnologia sobre a mesma. Antes de tudo, devo contar que meu único computador pessoal, um laptop que poderia ser barato para qualquer um, – para mim foi o maior investimento da minha vida – está morto, e tudo que nele continha.

Eis a história: Um garoto de onze anos, reprimido, solitário, envergonhado com suas carnes escassas, encontra o que foi a salvação da sua medíocre vida. Um computador IBM 486 com processador de 33mhz. A progressão foi lenta, porém exponencial. Já aos doze anos já programava em HTML e brincava de usar Linux. Nada disso lhe deu dinheiro, nunca se importou com isso na verdade. Gastou todo seu tempo graças ao íntimo ser autodidata. Tudo que hoje aos vinte e quatro anos sabe, foi devido esse ostracismo social. E isso agora já lhe rende dinheiro. Infelizmente o pobre rapaz repudia atualmente, e isso é completamente discrepante.

(Já disse que não falaria em terceira pessoa). No entanto, não recuso a falta que o computador me faz, pelo contrário. Tive meu primeiro contato de fato com computador rodando sistema DOS aos oito anos, somente aos onze tive acesso à internet – discada – que ficava contando as horas até meia noite para poder conectar diariamente. Tudo que quero dizer é que, esse objeto material e tecnológico é muito mais importante que a paz no mundo, que um amor, realização profissional ou acadêmica. Porque tudo na minha vida depende dele.

Nele eu sorrio e choro, xingo e elogio, durmo e acordo, produzo e sou inútil, assisto, ouço, escrevo, leio, trabalho, ganho e perco dinheiro. Nele conto histórias, faço amizades e construo melhor as que tenho, também às perco. Flerto, sou flertado, levo foras e dou foras.  Me informo, adquiro conteúdo desnecessário, aprendo mais e consto que ainda nada sei. Todo trabalho de uma vida perdida nas “cinzas” do meu querido e falecido laptop. Estou sem luz. Imaginem alguém muito importante na sua vida. Imaginou? Agora imagine ela morta.

Todo esse blá, blá desconexo é apenas dizendo que estou em estado péssimo de vida, uma pobreza sem precedentes e desolado. E estarei OFFLINE por tempo indeterminado.

Escrito por Elizaldo Barreto

outubro 14, 2010 às 2:43 pm

Publicado em Relatos

Etiquetado com ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.