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Ao receber seu bilhete confesso ter ficado perplexo, estático, desfalecido, amedrontado.  Haveriam mais, mas teria que escrever outra carta somente para que pudesse explicar os turbilhões de sentimentos. Levei semanas para poder replicar a você o que me escreveu. Exprimir o que sempre tentei fazer você compreender e inutilmente nunca alcançou. E ainda agora, mesmo distante, ficará mais difícil de me entender.

Eu poderia resumir isso tudo em “aconteceram várias coisas e fiquei magoado”, mas quem sou para lutar contra o sofrimento de uma mulher que acusa o homem de ser o traidor? Eu estava completamente apaixonado por você e não sou volúvel. Afinal você estava amando a alma que aqui continha, não o corpo, ou me enganei? Nada disso agora existe mais e também não importa. Você levou tudo que habitava aqui. E deve ter jogado em alguma vala, porque nem mesmo enxergar o sofrimento que aqui residi, você consegue.

Não quero perdão, muito menos de um indulto do qual não cometi. Eu acredito que tudo que aconteceu já não há mais volta. O tempo destrói tudo, e ele é irreversível. Chego à conclusão que você foi a pessoa mais inesperada na minha vida e cometi o engano de despertar esse amor. Espero que você rasgue ou queime esta carta, que não tenha nenhum valor para você, mas que fique claro: Eu te amei.

Jules.

Escrito por Elizaldo Barreto

outubro 7, 2010 às 2:31 pm

Publicado em Bilhetes, Personagens

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